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excelente artigo do indiano P. PATNAIK

Quando pode ocorrer a queda na taxa de lucro? Prabhat Patnaik [*] Smith, Ricardo, Marx. Vários grandes economistas avançaram teorias prevendo uma queda tendencial da taxa de lucro sob o capitalismo. Marx viu neste facto uma consciência da parte deles da transitoriedade essencial do sistema capitalista. Mas apesar de algumas destas teorias terem validade lógica, outras não têm. Dentre estas últimas está a teoria de Adam Smith. Adam Smith atribuiu a queda tendencial da taxa de lucro à “excessiva” acumulação de capital. O seu argumento era que em qualquer indústria particular, se cada vez mais capital se acumular e cada vez mais for produzido, haverá então uma queda no preço em relação ao custo de produção. Portanto, a margem de lucro por unidade de produto cairia e, uma vez que o produto por unidade de stock de capital é um dado, isto significaria uma queda na taxa de lucro, ou seja, lucro por unidade de stock de capital. Exatamente o mesmo, pensava ele, valeria para a economia como um...

2 de julho em SALVADOR DA BAHIA DE TODOS OS SANTOS

2 de julho em Salvador da Bahia[1] (EM SUBSTITUIÇÃO AO ANTERIOR, HÁ CORREÇÕES) Ceci Juruá[2] --- 1808, a Corte portuguesa chega à Bahia Em 22 de outubro de 1807, D. João aceitou negociar com a Inglaterra uma Convenção Secreta, acatando a possibilidade da vinda da Corte portuguesa para o Brasil, caso se concretizasse a invasão de Portugal pelos exércitos de Napoleão. Contudo, D. João evitou comprometer-se com a entrega de licença para que cidadãos ingleses ocupassem alguma área litorânea no Brasil, perto da bacia do Prata, para fins de construção de um porto. Pouco depois (em 27 de outubro), França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, retalhando o território de Portugal entre aliados; do lado francês houve a promessa de futuro reconhecimento do Rei da Espanha como Imperador das Duas Américas.... Assim, através de tratados mantidos em segredo entre as três principais potências europeias -França/Espanha e Inglaterra- e Portugal, um aliado sob dependência da Inglate...

Homenagem à BAHIA E AO 2 DE JULHO EM SALVADOR DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

2 de julho em Salvador da Bahia* Ceci Juruá ** --- 1808, a Corte portuguesa chega à Bahi Em 22 de outubro de 1807 D. João aceitou negociar com a Inglaterra uma Convenção Secreta, acatando a possibilidade de vinda da Corte portuguesa para o Brasil, caso se concretizasse a invasão de Portugal pelos exércitos de Napoleão. Contudo, D. João evitou comprometer-se com a entrega de licença para que cidadãos ingleses ocupassem alguma área litorânea no Brasil, perto da bacia do Prata, para fins de construção de um porto. Pouco depois (em 27 de outubro), França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, retalhando o território de Portugal entre aliados, do lado francês houve a promessa de futuro reconhecimento do Rei da Espanha como Imperador das Duas Américas.... Assim, através de tratados mantidos em segredo entre as três principais potências europeias -França/Espanha e Inglaterra- e Portugal, um aliado sob dependência da Inglaterra desde 1661, foi dada a partida para eventos fu...
Comemorações inconclusas do Bicentenário, faltam Nordeste e Amazônia. Ceci Juruá* (fev. 2023) Ilustração : Mihai Cauli Em agosto de 1822, o então Príncipe Regente D. Pedro deixou o Rio de Janeiro e foi a São Paulo resolver questões políticas daquela província. Em sua ausência atracou no Rio de Janeiro o navio português Três Corações, trazendo ordens emitidas pelas Côrtes de Lisboa a respeito do Brasil. Entre tais ordens, teve repercussão altamente desfavorável a decisão de mandar instalar juntas de governo subordinadas a Lisboa nas províncias brasileiras, medida que limitaria, necessariamente, a autoridade do Principe Regente. D, Pedro, ao tomar conhecimento desse fato e das opiniões da dupla José Bonifácio / Imperatriz Leopoldina, transmitidas por cartas que recebeu nesta ocasião, proclamou ali às margens do arroio Ipiranga (São Paulo) , em 7 de setembro de 1822, o brado simbólico : Independência ou morte ! Não se tratou de gesto impulsivo, pois na Côrte do Rio de Janeiro a...

CEDRIC DURAND : Um ardil da razão internacionalista

Um ardil da razão internacionalista – O presente artigo é uma resposta à crítica de Jacques Sapir ao livro En finir avec l'Europe, obra colectiva dirigida pelo autor. Posteriormente resistir.info publicará a tréplica de Sapir. por Cédric Durand A resenha minuciosa e estimulante que Jacques Sapir propõe da obra colectiva En finir avec l'Europe revela numerosos pontos de convergência quanto à apreciação da conjuntura. A União Europeia é hoje o lugar onde se impulsiona a radicalização das políticas neoliberais; um espaço de tomada de decisão onde a influência da vontade popular é sistematicamente mantida à distância. Além disso, a criação do euro no quadro da união económica e monetária alimentou desequilíbrios insustentáveis que não podem ser reabsorvidos de modo duradouro, seja ao preço de um ajustamento brutal em baixa dos salários, de uma alta dos impostos indirectos e de uma deterioração drástica dos serviços públicos como se observa nos países da periferia. Esta constataç...

ARTIGO DE CEDRIC DURAND - O NEOIDUSTRIALISMO

Estados ocos em face do “neoindustrialismo” – O esvaziamento das capacidades dos aparelhos de Estado Cédric Durand [*] Chip. O retorno da política industrial é uma tendência forte, pois está catalisada pelos choques cumulativos da Covid-19 e da guerra na Ucrânia, além de questões estruturais de longo prazo: a crise ecológica, a produtividade vacilante e o alarme com a dependência dos países ocidentais do aparato produtivo da China. Juntos, esses fatores minaram constantemente a confiança dos governos na capacidade da iniciativa privada de impulsionar o desenvolvimento econômico. É claro que o “estado empreendedor” nunca desapareceu, especialmente nos EUA. Os bolsos fundos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa e dos Institutos Nacionais de Saúde têm sido cruciais para manter a vantagem tecnológica desse país – financiando a pesquisa e o desenvolvimento de produtos nas últimas décadas. Ainda assim, está claro que uma mudança substancial já está ocorrendo. Como observou u...

Transporte ferroviário, arquivo de jornais

Ferrovia NORTE / SUL Os segredos da fusão Rumo-ALL • Como a solução de um impasse bilionário envolveu os pesos-pesados Rubens Ometto, Beto Sicupira, Wilson de Lara e Pércio de Souza, e resultou na criação da mais nova empresa de logística do Brasil, avaliada em R$ 11 bilhões • CARLOS RYDLEWSKI • CARLOS RYDLEWSKI 24 AGO 2014 - 09H43 ATUALIZADO EM 24 AGO 2014 - 09H43 Até o fim do ano passado, era só discórdia e desconfiança. A Rumo, o braço de logística do grupo Cosan, comandado pelo empresário Rubens Ometto, vivia em um estágio de litígio agudo com a América Latina Logística (ALL), que opera os principais trechos da malha ferroviária brasileira. Litígio, na verdade, é modo de dizer. As duas empresas estavam engalfinhadas em uma disputa visceral, em torno de um contrato firmado em 2009. De repente, o vento virou. Em abril, a cúpula da ALL aprovou um processo de fusão, por meio do qual aceitava, sem delongas e por ampla maioria, ser incorporada à Cosan. Simples assim? Nem tanto. A na...