artigo do Economista BRESSER PEREIRA publicado hoje, 3 de novembro 2022, em BR 247
ceci vieira jurua
qua., 2 de nov. 22:32 (há 13 horas)
para desenvolvimentistas@googlegroups.com
Bresser Pereira
Não podemos descansar sobre os louros
"Os brasileiros lutaram contra contra o neoliberalismo e contra o neofascismo. Fomos vitoriosos, mas não podemos descansar sobre os louros", indica
2 de novembro de 2022, 16:11 h
Estou feliz com a eleição de Lula. Terminou o período mais sombrio da história da democracia no Brasil. Estou feliz também porque minha previsão que a democracia aqui está consolidada e, portanto, sobreviveria a todas as tentativas de golpe do sr. Bolsonaro também foi confirmada.
Ainda há quem continue a falar em ameaça de golpe, não obstante ele tenha ordenado a seus subordinados o início da transição para o novo governo.
A jornalista Malu Gaspar, do Globo, por exemplo, insiste que Bolsonaro não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e que estimula seus seguidores a questionar o resultado das urnas.
Uma democracia está consolidada porque sobrevive aos ataques que sofre. Mas isto só é possível porque muitos estavam em sua defesa. A ação de instituições como a OAB, a Comissão Arns e a CNBB foram fundamentais nessa defesa e no resultado alcançado.
A tese, porém, que “a democracia está morrendo”, que se tornou popular entre cientistas políticos nos Estados Unidos e no Reino Unido depois que, em 2016, Trump foi eleito e o referendo do Brexit foi aprovado, foi um equívoco.
Cientistas políticos como Steven Levitsky, Daniel Ziblatt e David Runciman, que em 2018 publicaram livros afirmando que a democracia estava morrendo aos poucos nos seus países. Tiveram lá e também aqui grande sucesso. São democratas, mas estavam fazendo terrorismo político.
Em 2020 eu escrevi um ensaio publicado em seguida na Lua Nova cujo título era “A democracia não está morrendo, o que está morrendo é o neoliberalismo”. E de fato, esse neoliberalismo, que apenas beneficiou os ricos. morreu.
Mas antes de morrer deu origem a um populismo de extrema-direita que amedrontou muitos, também lá e aqui.
Como previa, o desenvolvimentismo que está aí é um desenvolvimentismo conservador; não é muito melhor que o liberalismo. Mas não é neofascista como é a extrema-direita.
Extrema direita não morreu, e contra ela as mulheres e os homens progressistas precisarão e suas organizações precisarão continuar a lutar com tanto ou maior vigor que o que mostraram quando lutavam contra o neoliberalismo.
No Brasil, nestes anos, os brasileiros lutaram contra as duas coisas – contra o neoliberalismo e contra o neofascismo. Fomos vitoriosos, mas não podemos descansar sobre os louros.
Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.
Coleção Celso Furtado por ele mesmo
CELSO FURTADO POR ELE MESMO Os mundos desiguais (Les Mondes Inégaux)) Revista de História No. 6 - Hachette Literatura Outubro/Dezembro 1980 ____________________ O conjunto de regras que compõem a Ordem Econômica Internacional reflete a estrutura de poder que comanda a divisão internacional do trabalho. A existência dessas regras e sua aceitação exprimem o caráter operacional de um sistema econômico global no qual se integram as economias nacionais. De fato, ao menos 10 % do produto total dessas economias transitam por canais internacionais - esses 10 % incluem parte importante da produção de nível superior do ponto de vista da tecnologia aplicada - . Evidentemente, sem este andar superior da divisão social do trabalho a produtividade seria substancial - mente mais fraca em todos os sistemas econômicos nacionais. O fruto de tal aumento de produtividade é repartido segundo um conjunto de regras. É natural portanto nos interrogarmos colocando questões co...
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